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Ensaios

Janela Indiscreta

com Larissa Maxine

Ao entardecer os olhos se aproximavam da janela, alguém observava o vulto que às vezes parecia devolver a espiadela.
Ao amanhecer ela esperava pelo olhar, não sabia dizer de qual direção vinha. Apenas sentia a presença como um bafo quente soprado na nuca.
Os olhos fitavam vidrados a dança de uma sombra sinuosa. Esforçavam-se na tentativa de enxergar maiores detalhes, mas a luz, com seus últimos suspiros, invadia a paisagem fazendo seu truque de silhuetas.
Ela, lisonjeada, se espreguiçava de forma a destacar as curvas perfeitas. Caminhava pelo apartamento, deliciando-se com os primeiros raios de sol tocando sua pele.
Um dia veio o eclipse, uma luz fria invadiu as frestas e pela primeira vez os olhares se encontraram e se reconheceram. Tinham o mesmo formato e a mesma cor. Olhando para si sentiu algo estremecer por dentro, lançando por entre as pernas um espectro laranja capaz de diluir dimensões.
Naquela noite estremeceu duplamente sentindo o próprio toque que tinha gosto de luz.

FOTOS Pedro Rosa
MAQUIAGEM Tatiane Martins
CONCEITO/PRODUÇÃO Pedro Rosa
TEXTO Larissa Anzoategui