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Ensaios

A Noite da Odalisca

com Jacqueline Takara

A malícia no olhar e nos movimentos da cintura fizeram-na, sem desejar, ser a escolhida da criatura que se alojava no fundos dos fundos daquele universo. Isso lhe trouxe a dádiva da vida eterna e também a maldição de ser o ponto de equilíbrio para afastar a fúria da besta, sendo sua prisioneira. De quando em quando se podia sentir a temperatura aumentando. Primeiro no solo e depois em tudo, como se um fogo invisível estivesse ecoando por todos os cantos. E então ela sabia, era chegada a hora da grande fúria anual; se os movimentos não agradassem todos morreriam nas garras asquerosas de seu algoz. Então ela se levantava e fazia o rito, punha-se a dançar. Movimentava as pernas, os pés, os braços, as mãos e as cinturas de maneira única. Era por isso que tinha sido escolhida e não negaria sua grande vocação ante a maldição que lhe fora imposta. Movimentava-se, expressava-se dos pés à cabeça, seduzindo a criatura até que ela entrasse em transe novamente.

FOTOS Pedro Rosa
MAQUIAGEM Laís Galdino
CONCEITO/PRODUÇÃO/TEXTO Larissa Anzoategui